terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Chuvas de Verão

 Lá fora o tempo escurece, um tempo desses de verão que nos desnorteia, que saímos de camiseta, e ao abrir a janela nos deparamos com um céu negro, com nuvens carregadas e barulhos  de trovão... A gente pensa que o dia vai ser lindo, mas acaba sem guarda-chuva, sem carro, e onibus que nao passa...

Não tenho vergonha de expor minha fragilidade, minha fraqueza enquanto mulher, humana e frágil, sujeita a tudo que se tem nessa terra, e otimista o suficiente para levantar todos os dias com fé. Mas a vezes não dá mesmo, e a gente é detonado, o caminhão derruba e passa por cima, o trator destroça. 

Assim como o dia de hoje, tão carioca e azul, foi que meu dia começou. E assim como as nuvens que cobrem o céu é como ele vem terminando,,, negro, pesado.

Notícias vem... a gente as vezes nem procura, mas elas chegam,,,, algumas nos elevam, outras destroem. Tem fatos que a gente nem consegue descrever. Então parei, parei onde estava , pedi aipim , azeite e chopp e bebi...  eu esperei que a chuva desabasse, mas ela ainda está presa no céu. Porque tudo, tudo que eu desejei hoje foi me molhar nas águas da chuva, ensopar minha roupa, deixar os cabelos pingando, colados ao rosto, pra ver se a dor se esvaia,,, Mas tem tipo de dor, que já conheço, que a gente simplesmente se acostuma, porque não tem como ela ir embora,,,

Quem me conhece, o pouco que for, sabe,,, sou paciente, tranquila e risonha, dificil me abalar e me abater , mas hoje a ponta da faca entrou pelas costas e saiu no peito,,, porque de amigo, a gente nunca espera,,,

Cada um com sua dor, sua luta e sua cruz...  que pra uns é vida, pra outros é sacrificio... não se julga...

E mais uma vez, sinto que cresci, que a vida me ensinou mais uma lição,,, 
Este é o meu blog, e o meu desabafo,,,
Meu choro não é eterno não... meu sangue é que ferve pra sempre,,,
Amanhã será um dia normal, faça chuva ou esquente o sol... vou trabalhar, regar minhas plantas, cuidar dos meus pets, beijar meu filho amado,,,
Hoje vou me derreter, tomar um banho gelado, ouvir o silêncio da falta de repostas e sobreviver a mais esta dor...

Me exponho, e não me importo... sou frágil, humana, e choro...
Eita vida de surpresas,,,

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Alvorada





Madrugada é sempre minha hora preferida para escrever. É quando o silêncio em sua plenitude me arrebata, e eu posso enxergar, quem sabe, um pouco mais de mim mesma.

Antes de chegar ao clímax das palavras, os pensamentos me rodeiam por dias, e escrevo no ar, no vento... Materializo neste momento, os sentimentos que andam transbordando  minha alma.

Quando criança e até adolescente tinha o hábito de me esconder debaixo da cama, dentro dos armários, sempre que queria chorar... Nunca fui boa com enfrentamentos, então me afogava entre as roupas como se ali ninguém  pudesse me encontrar, o mundo se reduzia...  E eu não tinha na época a noção da pequenez daqueles problemas.

Entre meus muitos defeitos está minha face infantil que esqueceu de crescer e ainda quer se esconder quando as coisas não vão conforme  acho que deveriam ser... Não dá mais pra ser debaixo de mesas, camas ou no meio das roupas... Vontade não falta.  

Tenho aprendido, no entanto, a conhecer meus sentimentos. Respeitá-los foi algo que aprendi, em qualquer esfera da minha vida, do trabalho ao amor, mesmo que custe sonhos. Me aceito melhor como ser imperfeito, que não consegue ser boa em tudo, em um mundo que nos exige o sangue. 

Quando mais nova imaginava que aos 36 a vida estaria definida. Quando achei que havia encontrado respostas, a vida me assaltou  mudando meus questionamentos sobre quase tudo. Nessa mudança, priorizei o carinho que devo ter comigo, e no respeito que preciso ter com o que sinto, com o que sou. Definitivamente, a opinião da multidão  não me importa, mas peço conselhos e colo àqueles que a vida me presenteou com uma amizade mais valiosa que o ouro. 

A multidão mantém o dedo em riste, acusando sem folga, exigindo, bebendo se lhe permitirem a última gota de sangue que temos, em julgamentos de todo o tipo: roupa, cultura, religião, amor, família, emprego e até sobre o que comemos... sugam. 

Tudo melhorou quando enxerguei minha imperfeição e entendi que nunca serei boa suficiente para a multidão. Me renova as amizades conquistadas, que me amam com meus erros, e me aceitam com meu jeito de ser.

Minha exigência principal para comigo mesma é me conhecer. Tanto plano que parou pela metade, tanto sonho que ficou na noite, amores que foram, pessoas que partiram, mas eu to aqui, coração batendo no peito, sangue correndo nas veias... eu preciso me amar, acreditar, dobrar a quantidade de tentativas, sorrir mais, me permitir mais... Mas se eu não investir em me conhecer, nada acontecerá de verdade.

Quero a inteireza da vida. Já usei máscaras e não gostei. Me quero na minha essência, na fragilidade  dos meus erros, no exagero da minha empolgação, no desespero das minhas lágrimas quando como agora, choro. Essa semana, cheguei no trabalho com o rosto quase desfigurado pois os olhos nao aguentaram tantas lágrimas. Quando me perguntavam, dizia "eu chorei a noite toda.", sim, porque não tenho motivos pra querer ser de aço, sou de carne , de osso, de lágrimas e de sorrisos. 

Quero cada vez mais o pulso da vida latejando em mim. Não quero a monotonia das lembranças daquilo que ardeu, rasgou, detonou, ainda que me sejam história e tentem me derrubar. Não quero! Meu desejo vai de encontro as manhãs ensolaradas, as noites de lua cheia, as chuvas... quero viver um amor que me arrebate, que me encha de suspiros, que me faça sorrir. Deveria eu desistir da vida, antes dos 40? 

Passei a noite acordada... Pela janela vejo a claridade do dia que se anuncia... 





quinta-feira, 26 de julho de 2012

Proibido para Homens



Ao final do texto, a leitora concordará comigo que somente nós, mulheres, podemos entender essas linhas. Uma chance pra mim, antes de começar a desenhar as loucuras em letras e pontos é chamar agora o melhor terapeuta, e chorar pra ele todas as minhas lágrimas da manhã, ou da vida inteira. E o terapeuta deve ser homem, para me encher com teorias, mesmo que em contracenso, pois este texto é só para mulheres. É que se for mulher, acabará a sessão abraçada comigo, abrindo uma garrafa de vinho e pedindo perdão, que está em TPM.



Dedico o post as meninas mulheres que sentem , pelo menos as vezes, a vontade de encontrar um príncipe, mas em especial dedico a amiga Veronica Carvalho, com quem ando filosofando sobre amor e sexo, e que ontem me indicou o filme Amizade Colorida, e que na certa foi a gota dagua pra esse momento.

Homem curioso, este texto definitivamente não lhe desrespeita, mas se quer continuar lendo, sente-se, pegue um whisky, mais apropriado que uma lata de cerveja. Acomode-se. Respire.

Harmonia e equilíbrio, côncavo e convexo, yin e yang, seja o que for, cultura, religião, dramas familiares... Fome, alma, desespero...  Indefinidas as definições, poetizando ou não, desde pequena é pra isso que sempre existi, para amar e ser amada. Romântico? Piegas? Ultrapassada? Não é este o sentido da vida, afinal? Não é o que justifica o árduo trabalho diário, as músicas, as rimas, os versos, as prosas, de alguém, para alguém, sobre alguém?

Diga-me experiente terapeuta, onde começam as neuras sentimentais? Porque não somos capazes de lidar com o mais nobre e fundamental dos sentimentos, por que não sabemos aceitá-lo e doá-lo, e, se o damos, não o recebemos, e se o recebemos, não nos interessa? Por que permitimos que decidam nossa vida, que o amor  seja encarado como conto de fadas?

Fui a dois casamentos este mês, e os absorvi como se nunca tivesse estado diante do altar. A beleza do olhar e a expectativa de um futuro  belo. Ninguém espera um mar de rosas, mas esperamos enfrentar as guerras da vida de mãos dadas.

Apreciando as belas damas, noivas, reluzentes, percebi que o romance ainda ronda as noites enluaradas, e que mesmo que por pouco tempo, que pena, as pessoas se permitem .


A menina romântica se esconde debaixo de panos, veludos, e a primeira camada ainda é um véu... Essa aqui, pode parecer uma madeira, mas me olha nos olhos... ainda me pego chorando  nos filmes, e o olhar encantado me surpreende nos beijos dos pássaros, ou em mãos que se entrelaçam... os produtores sabem, romance vende.



Por que me escondi debaixo de tantos veludos?
Terapeutas, por favor, junta de terapeutas, melhor;  Sabe quantas vezes agredi minha vida, meus valores, minha paz em nome do amor? Quantas vezes gritei, chorei, e literalmente me descabelei, segurei as portas em cenas insanas para que o amor que eu escolhi , não fosse embora, apesar de todo o maltrato que sofria em palavras e atos? Porque? Não, não era amor, nem o dele, nem o meu.

Encarei minha própria verdade e resolvi seguir só, fiz promessas que não poderia cumprir, como não me apaixonar novamente, não me envolver, e não me machucar mais.

Como lutar contra a natureza divina? E esta ternura na ponta dos dedos , e a doçura das palavras entaladas na garganta, e os sonhos , a simplicidade dos momentos que se eternizam... a pipoca espalhada no sofá após um filme interrompido pelo sexo e continuado por corpos suados que ainda continuam juntos... para a janta, de novo o sexo, o café, as brigas, beijos... continuam...




A vontade de deixar de escrever e fazer deste um rascunho eterno, é tentadora... Mas continuo, dizendo que carinho no cabelo é  muito bem-vindo, e se as cartas hoje são relíquias, aceitamos felizes o torpedo de “bom dia”,  ainda gostamos de rosas, e não precisa de um buquê, basta uma rosa , uma flor do campo quando não há nenhuma data especial.



O Por do sol é o maior dos espetáculos, e a praia está ao alcance dos pés. A lua continua brilhando no céu, e a chuva na janela convida... A tempestade, a brisa, o vento, tudo na verdade é um convite...


As letras de música são claras, os poetas, os sons, tudo neste universo conspira para o amor, somos amantes por essência. Porque as pessoas travam , e constroem pontes invisíveis, simplesmente nos tornando  inacessíveis. Porque seguramos a mágoa, retemos o perdão, como se fossem botes salva vidas?

Num mundo cada vez mais cheio de pessoas,  cada vez mais  a fluoxetina sendo usada, e com consultórios de terapias, as mais loucas delas,  com agendas lotadas , me questiono sobre a simplicidade das coisas, do amor puro, do cuidar, da essência, que há em todos nós.



Entramos em neuroses: é meu cabelo, meu peso, minha roupa, não sou boa de cama, falo errado, romântica demais, independente demais, boa demais, romântica de menos, falo muito, tudo isso junto?

Mais batom, menos máscara para olhos, estrias, celulites, filhos?

Perguntas sobrando.
E eu ainda quero ter tempo de regar meu jardim, sair pra comprar flores, colocar a mão na terra para plantá-las, fazer um café quente, bolinhos de chuva na tarde de domingo, uma boca pra beijar, um colo pra oferecer,  um abraço que me aqueça.

Poderia escrever por horas... mas, acho que já deu, melhor parar.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Segunda Pele




Quantas pessoas podemos ser ?
Uma vez ouvi: " não somos , estamos."
Na época, a frase  teve efeito estranho,  como um alimento mal digerido, um entalo na garganta.
Vivia no orgulho de um caráter que julgava imaculado, num casulo que imaginava perfeito, e lá estava protegida de qualquer mal.

O tempo passou, e mostrou a força e o poder das adversidades.
Não sou mais a mesma de 15 anos atrás.
Sou outra.
Melhor, pior?
Não tenho na verdade esta definição.

Julgamentos existem, as pessoas falam, mas a metamorfose acontece dentro de nós, e não há fuga.
Virtudes e defeitos - depende da ocasião.
Quando fiz a  cesariana há 14 anos, tive a impressão que sentia dentro de mim a mão do cirurgião e gritava pra ele: "Estou sentindo sua mão", o anestesista segurava minhas mãos com paciência  e diante do meu desespero, afirmava que era normal.
Acho que é deste jeito que me senti tantas vezes, como se  uma mão mexesse  dentro do meu peito,  invadindo espaço impróprio, desorganizando tudo, trocando sentimentos e valores do lugar. Doeu. Essa mexida aconteceu tantas vezes que não consigo entender hoje em dia como fui aquela mulher de um tempo atrás.

Mal me reconheço nas fotos.  Me pergunto como fui capaz de silenciar tantas vezes, de aceitar tantas outras e de me derramar em lágrimas por pessoas e coisas que só me faziam mal.
Quando releio meus escritos, posso reconhecer a letra, as manchas azuis no papel, produzidas pelo liquido salgado que desciam pelo meu rosto e redesenhavam as palavras...  Arrepia, dá calafrios pois sou revisitada pela sombra de sentimentos já sepultados. O mal que me fez.

Não dou a mínima para os que julgam , aqueles que de suas janelas me observam, e ousam pronunciar afirmações inconsistentes,  em um orgulho insano e hipócrita, pois não há acima ou abaixo, há experiências, histórias... Mas pessoas , do alto de seus valores únicos e incontestáveis mantem olhos altivos.
Não importa.

Sei da minha história, da solidão que atravessei quando temendo os monstros do desconhecido, fazia da cama  minha amiga confidente. Dos desertos, vendavais que minha alma travava com meus valores, conceitos que eram minha segunda pele.  Eu sei...

Quando então, me deparo sentada em meio a pilhas de fotos, cartas, poesias, percebo claramente as mulheres que habitaram em mim, as que morreram e a que se criou. 

 Gosto da pele que hoje me reveste.  Meu sorriso é de verdade,  hoje sei gargalhar... é o som da minha alma. Quando choro, extravaso, é real. Resolvi encarar a dança, apesar do medo dos novos  passos, e adoro sentir meu corpo em movimento. Assumo minhas vontades, desejos e sonhos, consciente que podem ou não se realizar.  Aceito meu corpo, templo do meu espirito, ele me dá movimentos, expressões, e prazer.







Vivo meus dias, sabendo de minha frágil condição humana, e por isso procuro manter meu humor em alta, meu sorriso aberto... Rejeito pessoas que  me fazem mal, tenho esta opção.

Esta Albanita morrerá? Como saber? Estamos, não somos. 





sábado, 30 de junho de 2012

Revelações

 A vida é uma busca incessante, um processo sem fim, um nado , uma corrida, um desespero...
Talvez não consiga expressar a força dos meus sentimentos nas frases aqui contidas.

A madrugada e a solidão me inspiram, ainda assim, sinto que as palavras trancafiadas em minhas emoções, resistem a liberdade.
Pois bem, seguem as palavras que se permitem:

Sou intensa, nada faço sem paixão. Minha vida é movida pela força dos meus desejos, no trabalho, na amizade, na arte, no amor. A razão, esse norte que se prega, acaba se tornando secundário. O sangue fervendo , a sede pela realização do sucesso dos projetos, o sonho que borbulha desesperado pra se tornar real  movem meu corpo , alma e espirito.

Nada faço sem vontade.
Quando acordo, é para vida que me levanto.
No entanto, tamanha intensidade nas emoções e no desejo me cegam. O subjetivo dos sonhos  bloqueia as decisões sãs, e quando percebo, a vida não sucedeu   conforme o esperado.

Quero a vida que pulsa, o choro convulsivo, a inteireza dos sentimentos, a força incontrolável da paixão, o amor que arrebata.
Sou uma mulher inteira, e  busco pela plenitude.

Quero o olho no olho, o sorriso que não tem medo de se mostrar, o abraço trocando suor, o beijo que enebria...
Quero a amizade que não se esconde, o amor que não tem medo, o sexo que não se envergonha.

Quem pode definir a quantidade de horas que ainda sobreviveremos?
Qual o controle que temos sobre as tempestades que devastam, ou que poder temos de prolongar a brisa que refresca?
Nossos poderes limitam-se ao desejo e ao esforço de nossas próprias atitudes.
Por mais intensa que seja nossa energia, o outro é sempre o outro e o alcance a ele, limitado.
Resta-nos então, a capacidade de gerir com equilíbrio a vida que se encaixa no corpo que habitamos.

Confesso que isto me falta - equilíbrio.
Desequilibro.
Quando quero, muito quero.
Quando rejeito, não tem volta.
Quando desejo , sou fogo, mas se desprezo , é eterno.

Como escrevi, nem sempre consigo colocar em ordem as palavras que definem o que sinto.
A madrugada silenciosa faz gritar os pensamentos. Correm soltos, desorganizados, desencontrados como um recreio de adolescentes.

Queria a calma de um longo abraço; esta intensidade me agita, e o desequilibro das emoções sussurram   maldades.

Queria pousar a cabeça na segurança de um amor pleno...

Se aquiete alma, se aquiete.













quinta-feira, 10 de maio de 2012

Recomeços (o fim)


A gente mal nasce, começa a sonhar, e isso é bom (o que seria da vida sem os sonhos?), e crescemos traçando planos... Desde novinha, pela cultura, natural da menina, a brincadeira era sempre em torno da família. Pequena, segurava a boneca de vestido rosa nos braços, e nas brincadeiras dávamos asas ao imaginário do faz de contas, e nos casávamos, tínhamos nossos príncipes, cavalos, sapatinhos de cristal. 

O tempo, ainda em conta gotas foi passando, e os sonhos continuavam. Traçamos planos, imaginamos cenas ideais, numa época onde não há impossível e temos a certeza de uma vida inteira com muitos anos maravilhosos para desfrutar nossos sonhos conquistados. Não há preocupação com idade, doenças, contas, razões que tornam adultos de corações duros.

Fui uma adolescente exageradamente romântica, sonhadora. Ainda hoje guardo as centenas de poesias que escrevia durante as madrugadas. Encantada com músicas, romances, em um mundo irreal. De um jeito, parece que foi ontem, e me lembro  como me sentia.

Não quero repetir histórias, como aquela da receita do bolo que não deu certo... Pois bem, depois da receita do meu bolo planejado ter dado tão errado e me marcado em definitivo, eu resolvi que  não voltaria a traçar planos e a sonhar de novo.  Mas a vida prega peças, e de novo, me percebi sonhando, planejando, desenhando o futuro com meus lápis coloridos.

E sonhei, e sonhei e sonhei. Já não tão nova, nem tão inexperiente, pelo contrário. O tempo passou de novo, forte, implacável, sem justificar sua pressa. E mais uma vez, o sonho acabou.

Não há culpados neste caminho. (ou há?)

Sabe quando as definições somem? Que não há palavras que possam decifrar o sentimento da perda do sonho. Mais do que perder uma pessoa querida, o que arregaça a alma é  a dor que  prevalece pelo sonho desmanchado. A dor está no plano não executado e recomeçar sonhos se torna tão sem sentido.
São expectativas frustadas,  investimento de emoções no vão, memórias de uma alegria finita, amor com prazo, solidão de dentro.

Me sinto assim: Sem saber se sei sonhar de novo, se sou capaz de um dia esperar novamente.
Começo do ponto zero, como a pequena menina que há muito tempo fui.
Sabe o que descobri que sei da vida aos 35: que experiências não se comparam, que não há parâmetros confiáveis, e que certamente eu simplesmente não sei. Nada.


sábado, 28 de abril de 2012

Violência - Nossos Olhos Acostumados


Tenho pensado muito sobre qualidade de vida, e  o que realmente quero pra minha vida. Vivo , como tantos outros, uma vida frenética, corrida. Acordo cedo, sem tempo do café com paz, e corro: serve moto, van, ônibus, metrô... A van entra por caminhos não permitidos, e no fundo acabamos aceitando o perigo, para não pegar trânsito, e fazer o dia render um pouquinho.

De lá pra cá, de cá pra lá em busca de uma vida melhor, se assim podemos justificar, continuamos a rotina. No meio do vendaval, de pessoas, coisas, esbarramos a todo momento em crianças drogadas, atravessamos a calçada para não sermos abordados pelos ditos "cracudos", mas que são pessoas que precisam de tantos cuidados- e os cachorros tem mais chance... 

Não posso contar, sinceramente, as tantas vezes que  presenciei momentos de violência neste mês, só neste mês. Parada no trânsito, enquanto tiros nos fazia abaixar, ônibus a poucos metros queimando... Bombas. 

Acordar com tiros, todos os dias, é tão comum que já faz parte das manhãs. Sobrevoo de helicópteros pretos? todos os dias. Uma guerra urbana que nossos olhos se acostumaram. A violência do abandono está em toda parte:  vemos nas esquinas, nas calçadas, nos sinais de trânsito. Os pequenos estão deitados em papelão, ou no chão frio, abandonados pela sociedade, que não os prioriza. Estão sujos, famintos, abandonados à nenhuma sorte, a dor os acompanha, e nossos olhos observam.

Tanta violência, algumas tão fortes, tão extremas que o silêncio se faz necessário, pela segurança, bom senso, e claro, medo. Por falar em medo, ele anda tão colado com a coragem que não sei nem discernir quem é quem. Tem horas, que simplesmente penso que enlouqueci. Sem proteção, sem colete, segurança, desarmada assim vou, assim entro. Confiando inteiramente na fé que me foi ensinada desde pequena: Espero na proteção divina.

A cidade é mesmo maravilhosa. Linda do alto, meu Rio de Janeiro. Carioca de corpo e alma, e triste por confessar que meu Rio não é um lugar tranquilo e bom para viver. Como poderia ser? Olhamos para os lados enquanto andamos, se de carro, vidros fechados. Os que podem, blindam seus automóveis, colocam cercas potentes em suas casas, contratam seguranças. Para os pobres mortais, o melhor é redobrar a  dose de fé. 

Estou triste. Foi um mês difícil, e não posso simplesmente ignorar meu medo, minha indignação contra esta dor que posso cheirar a cada manhã. A insegurança tão normal quanto a minha própria respiração.
Uma pressa insana, que machuca, que faz perder amigos, que inibe as risadas, que maltrata os filhos. Uma pressa bem vinda se o importante é deixar de pensar.

Ainda não consegui chorar, lágrimas tímidas, teimaram em descer... Me sinto tão vulnerável, impotente e coloquei em xeque minhas certezas. Cheguei ao ponto de não saber mais, como se eu tivesse voltado ao ponto zero, e precisasse rever todos os meus conceitos. Os básicos: quem sou eu, o que quero, pra onde desejo ir, é aqui mesmo que tenho que ficar, essas pessoas se importam, quem é que anda se importando, o que faço?

Se eu não me questionar, terei a certeza da minha cumplicidade com este horror da cidade grande, em que não escutamos os pássaros, não vemos os tons de azul do céu, não temos tempo para nos encantar com os sorrisos e gestos singelos dos bebês que passam por nós acenando... 

A vida vai escorrendo pelos dedos, e como leite derramado, sabemos que simplesmente não tem mais volta.

"Quero uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela pra ver o sol nascer", quero sentir o cheiro da natureza, da terra e do verde, minha essência. Quero reencontrar sonhos simples, como os das risadas com amigos,  almoçar e jantar com gente que amo, ter tempo para as crianças da minha família.


Estou mesmo revendo... to desesperada pela paz. Nesse momento me vem a imagem de um lago, onde posso esticar meu braço e tocar suas aguas geladas, brincar com o movimento das pequenas ondas formadas pelo toque das mãos... A emoção me invade.

Quero ter mais sonhos, além do tentar sobreviver mais um dia. Chegamos em casa, como campeões que conseguiram passar pelo dia, e continuar inteiros. Quero rever meus sonhos, quero voltar a sonhar.

Bate um desespero.

Essa violência não faz parte de mim.

Termino meu texto, com minha oração da manhã : Deus, guarde nossas vidas.














segunda-feira, 23 de abril de 2012

Na Corda Bamba


Equilíbrio seja talvez a mais importante das virtudes que um ser humano possa ter.
Penso em equilíbrio quando imagino uma corda bamba cruzando um abismo, como nos filmes e desenhos que cansamos de ver. Quem os atravessa são os heróis, mocinhos, enquanto deste lado da tela, a respiração fica suspensa.

Somos estes heróis no dia a dia. Ou não, quando simplesmente caímos.
Falei com meu querido irmão Artur em seu aniversário de 26 anos por telefone sobre este blog, futuro livro e ele comentou o quanto me exponho. Não me importo, foi o que eu disse.

Já segurei muitas barras, e mantive o equilíbrio, momentaneamente talvez. Ou fingi que o tinha.
Segurei o choro, suprimi o grito, sorri falsamente, não argumentei.

Alguns dias apenas se passaram, desde que perdi o equilíbrio no Hospital Memorial. Com um exame de eletroneuromiografia marcado pela segunda vez por conta do médico, apresentei minha carteira e identidade à recepção. "Ah, a médica veio hoje e disse que não trabalha mais aqui." foi a resposta que obtive.

Parece que não só o desrespeito da médica, da clínica, do plano, mas tudo o mais veio à tona, e desabei.
Não conseguia sinal de celular dentro da clínica para remarcar e sentei nos degraus do pátio da clínica, até que o segurança disse que eu estava na passagem e me mandou levantar e sair. Não saí. Gritei com ele, disse que se quisesse que eu saísse que me tirasse dali. 

Na verdade me levantei, tremi, e andei cerca de cinquenta minutos até meu local de trabalho para encontrar de novo minha calma. Caí da corda bamba, perdi o equilíbrio. Chorei, disse palavras que não lembro, errei a rua...

Claro que não foi só a dor nos braços, nem o desrespeito da clínica comigo, algo mais dentro de mim estava perturbado, e aquilo que se mantinha forçado numa calmaria mentirosa, explodiu em um choro convulsivo e não entendido por quem via.

Apenas um exemplo. 
Não é fácil manter o sorriso e as palavras mansas enquanto tudo sacode por dentro, enquanto o sangue borbulha nas veias, buscando respostas. O precipício está bem abaixo, e você tem apenas seu próprio corpo, suas armas para não despencar, e então procuramos na alma, coração, espírito ,tudo que já aprendemos para podermos nos segurar até chegar do outro lado em segurança.

Quantas vezes, somos empurrados, e aí,nem dá tempo de pensar em manter-se de pé. O jeito, é limpar os joelhos, a sujeira do chão que ficou em nós, esquecer as pessoas que nos olham, ou até riem, levantar e tomar mais cuidado, ser mais prudente.

Escrever sobre equilíbrio me faz lembrar as tantas vezes que o tive, e as centenas de vezes que o perdi. E só eu sabia, ninguém mais.
Desespero, insanidade e tudo isso debaixo da pele, e um sorriso no rosto.
Criança querendo colo, que colo, de quem?
Humanidade, mortalidade, apenas isso.




Equilíbrio é um estado. As vezes é bom perdê-lo, para enfim, quem sabe, reencontrá-lo. Nem sempre cair é mortal, é uma redefinição de caminhos. É olhar para o espelho e não encontrar deuses, mas  a esperança de um novo jeito de ver, ser, viver, esperar.

Rever o mundo de um novo ângulo, desorientar para orientar. Chorar tanto que de tão vazia, a alma limpa é inundada pela paz.

Meus textos são o reflexo do meu instante.
Não há verdade absoluta. As pessoas constroem suas verdades, ainda que para outros, sejam montes de mentiras; Assim, minha verdade de hoje não significa que seja à do leitor, talvez seja apenas um jeito desequilibrado de escrever.


Página em Branco


Quando era adolescente, costumava ter meus diários, onde escrevia minhas dúvidas, incertezas, descrevia amores impossíveis. Outro dia, onde a nostalgia era de fato minha grande parceira, resolvi abrir cadernos, reler as folhas, já um tanto amareladas... encontrei naquelas linhas, que almejava a idade adulta, pois nesta encontraria minha paz, as escolhas já teriam sido tomadas, e a vida simplesmente fluiria.

Confesso que o tempo me assusta. Não sou mais adolescente, e tento agir como a adulta que minha idade diz que sou. Noite dessas, olhando o teto às três da madrugada, engolindo seco os minutos eternos, me senti em um labirinto. Com tanta história no passado, lágrimas e sorrisos, percebi que as experiências não eram fundamento para os próximos passos. O desafio da vida é  a cada instante, e não tenho certezas.

Sou de uma família cristã, e o que nunca faltou na infância foram as certezas e as verdades. Mas com os anos, as certezas não eram assim tão certas, e o conto de fadas deu lugar a alguns desertos. 

As madrugadas, nem sempre boas conselheiras, mas ótimas ouvintes, escutam ultimamente meu silêncio. Fui chacoalhada pelo vazio. Interrompida pela ideia de que minhas experiencias, ou a dos outros não  são necessariamente suficientes para garantir passos futuros, na intenção de que estes , por estatísticas , darão certo.

Cada um na sua história, cada pessoa com sua verdade.
Desconstruir-se é bom para romper muralhas de paradigmas.
Encontrar-se vazio dá uma nova chance a descobertas e à esperança de ser feliz.
Quem pode realmente dizer qual é a roupa que me veste bem, o alimento que saboreio com prazer, a amizade que me completa, a profissão que me realiza?
Eu mesma, estou em busca do que realmente quero, como poderia alguém me apontar?

Se nos importássemos menos com a sociedade, poderíamos ter mais clareza sobre nossas escolhas.

Se de certa forma, me sinto perdida com este vazio, por outro percebo que estas páginas em branco podem ser pintadas de novas cores.

Toda a vida é um desafio. Erros e acertos, dia e noite, ciclos, nada está pronto.
Nesta estrada, onde só enxergamos de fato, o passo atual, e nenhum à frente, precisamos nos preocupar um pouco mais com a felicidade.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Passos- Uma possibilidade


Chega um tempo que alguns passos, mesmo que pequenos mostram que você está vivo , que pode continuar tentando, sonhando, fazendo, construindo.

Vivemos uma época muito agitada, sem tempo... Costumo dizer que acordo e durmo atrasada. Sempre tenho  a sensação de que poderia ter feito um pouco mais, mas nao deu tempo... Sou mãe, professora, diretora, dona de casa, pago as contas, e etc e tal, que já sabemos. E então, ter tempo para sonhar, ousar, e de fato realizar até mesmo pequenos prazeres torna-se difícil.

Sempre gostei de dança. Nunca tive coragem de entrar em uma aula, por mais que anotasse número de academias. Só desejava...



Isso foi durante toda minha vida. 

No começo deste mês, decidi entrar na academia para malhar , fazer esteira, musculação. No entanto me encantei ao ver a aula de dança. Desejei mais uma vez, estar ali, tentar aqueles passos...

No segundo dia, resolvi ficar e assistir toda a aula.  Fiquei olhando, observando... Nem todo mundo sabia dançar, mas estavam lá aprendendo, cada um por seu motivo...

Hoje tomei coragem, e após fazer bicicleta, andei alguns passos e me vi  entrando dentro do salão.

Realizei um sonho, e quem estava lá, não tinha a menor ideia disso.

Hoje foram alguns passos de Salsa, e depois de Bolero. Confesso, apaixonei...

Estou com uma sensação deliciosa de ter realizado este desejo. Meu sorriso está de orelha a orelha e já estou contando os dias para minha próxima aula.

Fica a dica: Dance!  dançar é bom demais!


quinta-feira, 15 de março de 2012

Fez a conta?

Não tenho poesia hoje.
Hoje tem um abismo dentro de mim.
Mais uma vez o passado entrou na minha vida, apontando minha escolhas,  me socando no estomago.
Hoje fui a representante legal do meu filho. Intimada a comparecer para a "revisão de pensão" que o pai de meu filho não paga.
A cada teclada, uma fisgada no peito, porque dói,
Enfim, depois dele dizer perante a Dra Juíza  que é um homem doente, e chorar para os presentes, ficou estipulado q ele pagaria 20% de 140,00.
Fez a conta?
Não tenho mais palavras.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Túnel do tempo - um jeito de sentir saudade

Basta uma palavra pra acionar todo o pensamento, que busca nos labirintos da alma, cenas , músicas, sons, cheiros e páginas e mais páginas de um tempo bom...

Pessoas que somem, eu que desapareço, contatos e telefones perdidos por negligência, trabalho, loucura.
Pois em esquisitices da personalidade, somadas ao tempo que não perdoa, vamos adicionando perdas consideráveis.

Barulhos que fazem falta... Uma juventude composta de boas músicas, alegrias, abraços e  calor faz a vida ter sabores, vibrações, emoções. Risadas pelos cantos, brilho no olho...

Quero estender meu braço e tocar de leve todas as emoções que um dia vivi. Mas não alcanço, há nevoas, distância, rios e mares entre aquilo que me encanta e a realidade.

Realidade: Pessoas mudam, como tudo que há neste mundo. Nossa peregrinação na terra é feita em ciclos, tudo se dá em mudanças.  Se as memórias e as emoções causadas por elas não chicoteasse minha paz solitária, certamente não sentiria o nó grosso entalado na garganta.

Não culpo totalmente o destino, culpo minha estagnação, minhas pirações, meu egoísmo de simplesmente viver em esperas. Pois as teorias belas em seus conceitos não foram suficientes para me fazer caminhar e procurar aqueles que o tempo, e não a vida, levou...

Resgato em memórias dias e semanas inteiras, na capacidade humana e sofredora de trazer recordações à superfície. Se em instantes, a culpa me sufoca como um afogamento desesperado,  em outros momentos a nostalgia me aponta que tudo se vai na simplicidade de uma brisa da tarde, um vento outonal que balança as cortinas da sala e arrepia a pele.

Neste desequilíbrio tão humano de saudade, culpa e desculpa, surgem as ondas que vão e vem em forma de pensamento, o coração desaba e alma se derrama.

Estou sentindo falta da presença, da fala, do riso e abraços de um monte de gente que amo, mas que não são mais quem foram. Não penso nisso como uma coisa má, pois também não sou mais a mesma. Sofremos os efeitos do tempo, desgastamos, e tomamos novas formas e novos  rumos.

Seguimos a vida, um tanto quanto conformados nesta tese de mudança, até que um cheiro, uma música, uma foto nos arrebata em um túnel do tempo, em uma volta ao passado que valeu viver, e na realidade, a emoção despenca.

Saudade, saudade doída de um monte de gente...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Belezas de Paraty - A Arte do Olhar

É na correria do dia, que meus pensamentos criam frases, poesias, textos... É quando acordo cedo,   ou espero no ponto meu ônibus passar... É atravessando a rua, reparando nas gentes, nas mães que amamentam, nos beijos e  silêncios de casais, na risada da criança, no idoso que ignorado, não consegue um motorista que cumpra sua função e pare o ônibus a fim de que  faça uso de seus direitos.





Nos meus textos, ainda  quando são apenas visitantes da minha imaginação, pontuo, exclamo, pergunto, dou pontos finais. Hoje minha poesia foi escrita nas linhas da memória, repleta de reticências...
                                                             
                                                                          ...................


Comecei a escrever quando recebi a ligação do meu filho. Vinicius, era seu nome escrito no meu celular. "Mãe, acordei." "Tudo bem com você, meu filho?" "Tá, beijo, tchau."


Sou uma mãe apaixonada, e como muitas outras, não possuo receitas prontas. Meu adolescente vive suas fases, do abraço apertado que me enlaça, como quando o mantinha em meus braços, à cara séria, que quando mal chego perto,  ele me pede pra sair.

Em um dia em que os conflitos maternos me atribulavam, minha amiga Neilda me disse para manter a calma, que ele estava no seu momento adolescente, que os hormônios borbulhavam, que os pensamentos se formavam, e o corpo conflitava entre a criança que se deixa e o adulto que se forma. Acalmei. Embora  sempre soube disso, quando é no  próprio coração que dói, acabamos por esquecer...

Foi andando  pelas  ruas do Caju, que voltei aos meus quatorze anos. Confesso ter me assustado com a mémoria aguçada, e com meu próprio pensamento: "parece que foi ontem...." lembro com detalhes de fatos, fotos, risos, choros, alegrias, desespero." Eu lembrando de forma tão recente a majestosa idade de vinte e  um anos atrás , e vendo a do meu filho passar por mim, de um modo lindo, rápido, que se eu pudesse capturaria em  milhares de prints.

Adolescentes preservam seu mundo,  ou os apresenta a quem querem , inventam seus  próprios tesouros, constroem seus  castelos, escondem-se nele, projetam o futuro, inventam cortes de cabelo, vivem seus segundos como os únicos...

Eu lembrei, também fui assim.

................

Sempre escrevi, e meus cadernos escondiam minha alma.  Nas entrelinhas, lia-se uma vida que parecia eterna, ou  então  um instante em que o mundo se evaporava.
.
Com quartorze anos me apaixonei pela primeira vez, e  romântica redigia  inúmeras poesias! Coração  se transformava em  uma escola de samba em desfile no Sambódromo, só de ver o amor passar.  Outro dia minha mãe  me lembrou em que uma tarde, joguei minhas poesias datilografadas pela janela da casa, em seguida as apanhei e na pia as queimei, banhando-as ao mesmo tempo em lágrimas. Enquanto escrevo, um sorriso me escapa,  rindo comigo mesma da  intensidade  contida nos sentimentos! Uma explosão de emoção e hormônios. Nunca presenciei atos assim de meu filho, minha mãe foi mesmo  muito paciente, confesso!!

..................

Aos quatorze estudava e queria ser desenhista, escritora,  e viver um grande amor.

Fui realmente uma menina muito apaixonada pelos amigos, pelos eternos amores, pela vida.

Gosto de lembrar dessa infância regada a sonhos, tão bem vivida,  intensa, verdadeira, conflitada e linda!

Meu primeiro beijo foi aos quatorze, no dia anterior à minha festa de quinze. Naquela época, já era bem crescida para um primeiro beijo, e não consigo deixar de rir de mim mesma enquanto  as lembranças percorrem o labirinto da minha alma em busca destas alegrias de nossa breve existência. Foi em minha própria residência, escondida  de todo universo. 


Se hoje acho graça, aos quatorze era questão de ar, afogamento sem água, noites inteiras olhando o céu por entre as cortinas da janela, fogo e desespero, como se o amanhã não fosse mais existir.  Recordar  se torna um oásis em meio a esta vida adulta , sóbria e de uma razão  que entedia.


Traço paralelos,  e espreito em delícias a juventude de meu  filho adolescente. Seus talentos que afloram, sua raiva pelas espinhas no rosto, suas frases filosóficas de quem sente que já viveu toda uma vida, e me surpreende, encanta, apaixona...

Nossas razões adolescentes , infelizmente são quebradas pelos desvios, acidentes de nossa humanidade.
Minha juventude marcou minha vida, e sendo  história, fez parte dos fios tecidos que me transformaram na mulher que hoje sou.

Meu filho diz que será arquiteto, designer gráfico, fala que quer ser como o tio Artur e que vai morar nas terras mineiras. Gosto de ouvir seus sonhos, sua gargalhada,  e também seus momentos  nos quais esquece que é quase um homem, e volta a ser apenas uma criança, rindo pra valer assistindo desenhos. Alegrias aos quatorze é um voo de águia, plainando deliciosamente pela imensidão azul.


Meu filho de quatorze
e eu no réveillon  

Termino estas linhas, banhadas em folhas de outono, posso sentir o barulho das folhas gastas rodopiarem em volta... Brisa que  sussurra em meu rosto, trazendo lembranças de um tempo que não volta, de um primeiro eterno beijo, de sonhos que ainda estão na lista, de projetos que não dão mais pra ser... Olhando pro céu, ele continua lindo, azul, apesar do vento que me envolve e me assusta. 




Aos quatorze a vida flui. Quatorze de sonhos, de alegrias, intensidade, chuva, sol, conflitos, ondas e beijos. Quatorze de silêncios e sons. "tem certas coisas que eu não sei dizer." 
Pra sempre quatorze...

Apenas uma música que me recorda  os tempos de quatorze...



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

É Preciso Confiar para Viver


Seria bom que as palavras aqui escritas, sempre fossem amor e poesia. Mas a vida não é assim...
............

É preciso confiar para viver.

Dormimos sob  tetos que foram feito por outras pessoas.

Pegamos nosso carro, andamos de ônibus e vamos em frente, andando lado a lado com uma multidão de desconhecidos.

Vamos ao jogo de futebol e em meio ao povo, suspendemos nossa criança por sobre nossos ombros para que ela veja também o time do coração, e vibre conosco.



Entramos no metrô lotado e ainda assim, levamos nosso livro para aproveitar o tempo, e espremidos, lermos.

Nos rendemos aos amores, selamos compromissos,  alguns de nós levam até mesmo o nome amado na assinatura. Há um pacto. Fazemos promessas eternas, acreditamos nas músicas inventadas, e nos dedicamos em nome do amor , e  das palavras um dia pronunciadas.




Vivemos em apartamentos, dividindo o prédio com centenas de famílias. Confiamos que elas serão responsáveis nos cuidados necessários ao lar.

Compramos em mercados, comemos em restaurantes, deixamos nossas crianças brincarem no parque.

Confiamos

Se não confiássemos, ficaríamos eternamente presos em nossa casa, e ainda assim, seria preciso confiar.

A traição tem muitas caras. Nos sentimos traídos quando compramos um alimento no mercado, e ao chegarmos em casa, vemos que a validade passou, o produto fede.

Nos sentimos traídos quando estamos em nosso carro, comprado com trabalho, suor e esforço, pagando por anos a fio, e de repente alguém aparece e o leva. Com que direito? Nós confiamos na segurança, do contrário , não sairíamos as ruas...

Claro que confiamos.



Quando o médico erra na cirurgia, enquanto estávamos anestesiados, incapazes de qualquer reação, sentimos a tristeza de termos sido reféns,  enganados. Segue a dor ao admitirmos que profissionais, promotores da saúde, ignoram a vida.

Que tipo se sensação nos invade se o prédio que investimos nosso suor, e que moramos ou trabalhamos desaba? É possível subir novamente um elevador sem recordar?




Nos sentimos esvaziados de alma, quando um amigo , que como padre, recebeu nossa confissão, comete o pecado da infidelidade.

Quando o metrô lotado escurece, não há justificativas que nos convença que aquele lugar pode ser novamente seguro.

Que tipo de medida usamos para a dor que se sente quando as promessas feitas em altar , na presença de testemunhas, famílias , usando ouro, bíblia e o nome de Deus são jogadas ao vento?
Pode tal dor ser medida?



Que cola poderá unir os pedaços de uma taça de cristal que se espatifou?



Mas a vida pede que prossigamos.

Para sair de casa, e fazer parte de uma multidão que anda, passa, corre é necessário confiar.

Para girarmos a chave de nossa casa, entrar em nosso quarto, apagar as luzes , fechar os olhos e dormir é preciso confiar.

É preciso confiança para entrar em um banco, ir ao cinema, comer a comida do restaurante ao lado, conversar com o estranho que nos sorri. Confiamos.

O humano, ser animal que fala e sente, ganhou com a inteligência a capacidade de dissimular, e  com o dom de mascarar a realidade de suas intenções, ri enquanto quer chorar, chora quando por dentro ri... Beija, como Judas fez, e profere palavras enquanto em suas costas, segura o punhal. Armadilhas assim nos surpreende em fragilidade e inocência, e pra sempre olharemos para os lados, meio que desconfiados da vida.




Talvez, as feridas da alma, causadas pela emoção sacrificada, demandam mais tempo pra serem cauterizadas. As promessas de um amor, e a fidelidade de um amigo quando tem suas pilastras sacudidas, demonstram alicerces enganosos, e reconstruir, pode levar tempo.



Que bom que em nossa vida temperada de emoções, temos além da dor , do medo e da insegurança, sabores que nos sustentam, chamados de fé, esperança, e superação.

Nossa fé acaba se restaurando, como a noite escura dá lugar ao amanhecer.



Verdade é relíquia, sinceridade é diamante, fidelidade é tesouro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quando a vida acontece aos quatorze

É na correria do dia, que meus pensamentos criam frases, poesias, textos... É quando acordo cedo,   ou espero no ponto meu ônibus passar... É atravessando a rua, reparando nas gentes, nas mães que amamentam, nos beijos e  silêncios de casais, na risada da criança, no idoso que ignorado, não consegue um motorista que cumpra sua função e pare o ônibus a fim de que  faça uso de seus direitos.





Nos meus textos, ainda  quando são apenas visitantes da minha imaginação, pontuo, exclamo, pergunto, dou pontos finais. Hoje minha poesia foi escrita nas linhas da memória, repleta de reticências...
                                                             
                                                                          ...................


Comecei a escrever quando recebi a ligação do meu filho. Vinicius, era seu nome escrito no meu celular. "Mãe, acordei." "Tudo bem com você, meu filho?" "Tá, beijo, tchau."


Sou uma mãe apaixonada, e como muitas outras, não possuo receitas prontas. Meu adolescente vive suas fases, do abraço apertado que me enlaça, como quando o mantinha em meus braços, à cara séria, que quando mal chego perto,  ele me pede pra sair.

Em um dia em que os conflitos maternos me atribulavam, minha amiga Neilda me disse para manter a calma, que ele estava no seu momento adolescente, que os hormônios borbulhavam, que os pensamentos se formavam, e o corpo conflitava entre a criança que se deixa e o adulto que se forma. Acalmei. Embora  sempre soube disso, quando é no  próprio coração que dói, acabamos por esquecer...

Foi andando  pelas  ruas do Caju, que voltei aos meus quatorze anos. Confesso ter me assustado com a mémoria aguçada, e com meu próprio pensamento: "parece que foi ontem...." lembro com detalhes de fatos, fotos, risos, choros, alegrias, desespero." Eu lembrando de forma tão recente a majestosa idade de vinte e  um anos atrás , e vendo a do meu filho passar por mim, de um modo lindo, rápido, que se eu pudesse capturaria em  milhares de prints.

Adolescentes preservam seu mundo,  ou os apresenta a quem querem , inventam seus  próprios tesouros, constroem seus  castelos, escondem-se nele, projetam o futuro, inventam cortes de cabelo, vivem seus segundos como os únicos...

Eu lembrei, também fui assim.

................

Sempre escrevi, e meus cadernos escondiam minha alma.  Nas entrelinhas, lia-se uma vida que parecia eterna, ou  então  um instante em que o mundo se evaporava.
.
Com quartorze anos me apaixonei pela primeira vez, e  romântica redigia  inúmeras poesias! Coração  se transformava em  uma escola de samba em desfile no Sambódromo, só de ver o amor passar.  Outro dia minha mãe  me lembrou em que uma tarde, joguei minhas poesias datilografadas pela janela da casa, em seguida as apanhei e na pia as queimei, banhando-as ao mesmo tempo em lágrimas. Enquanto escrevo, um sorriso me escapa,  rindo comigo mesma da  intensidade  contida nos sentimentos! Uma explosão de emoção e hormônios. Nunca presenciei atos assim de meu filho, minha mãe foi mesmo  muito paciente, confesso!!

..................

Aos quatorze estudava e queria ser desenhista, escritora,  e viver um grande amor.

Fui realmente uma menina muito apaixonada pelos amigos, pelos eternos amores, pela vida.

Gosto de lembrar dessa infância regada a sonhos, tão bem vivida,  intensa, verdadeira, conflitada e linda!

Meu primeiro beijo foi aos quatorze, no dia anterior à minha festa de quinze. Naquela época, já era bem crescida para um primeiro beijo, e não consigo deixar de rir de mim mesma enquanto  as lembranças percorrem o labirinto da minha alma em busca destas alegrias de nossa breve existência. Foi em minha própria residência, escondida  de todo universo. 


Se hoje acho graça, aos quatorze era questão de ar, afogamento sem água, noites inteiras olhando o céu por entre as cortinas da janela, fogo e desespero, como se o amanhã não fosse mais existir.  Recordar  se torna um oásis em meio a esta vida adulta , sóbria e de uma razão  que entedia.


Traço paralelos,  e espreito em delícias a juventude de meu  filho adolescente. Seus talentos que afloram, sua raiva pelas espinhas no rosto, suas frases filosóficas de quem sente que já viveu toda uma vida, e me surpreende, encanta, apaixona...

Nossas razões adolescentes , infelizmente são quebradas pelos desvios, acidentes de nossa humanidade.
Minha juventude marcou minha vida, e sendo  história, fez parte dos fios tecidos que me transformaram na mulher que hoje sou.

Meu filho diz que será arquiteto, designer gráfico, fala que quer ser como o tio Artur e que vai morar nas terras mineiras. Gosto de ouvir seus sonhos, sua gargalhada,  e também seus momentos  nos quais esquece que é quase um homem, e volta a ser apenas uma criança, rindo pra valer assistindo desenhos. Alegrias aos quatorze é um voo de águia, plainando deliciosamente pela imensidão azul.


Meu filho de quatorze
e eu no réveillon  

Termino estas linhas, banhadas em folhas de outono, posso sentir o barulho das folhas gastas rodopiarem em volta... Brisa que  sussurra em meu rosto, trazendo lembranças de um tempo que não volta, de um primeiro eterno beijo, de sonhos que ainda estão na lista, de projetos que não dão mais pra ser... Olhando pro céu, ele continua lindo, azul, apesar do vento que me envolve e me assusta. 




Aos quatorze a vida flui. Quatorze de sonhos, de alegrias, intensidade, chuva, sol, conflitos, ondas e beijos. Quatorze de silêncios e sons. "tem certas coisas que eu não sei dizer." 
Pra sempre quatorze...

Apenas uma música que me recorda  os tempos de quatorze...



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pipas... Uma reflexão...

Maria da Graça é o bairro onde vivo, e no qual cresci. Pequena, gostava de ver o céu colorido pelas pipas que pareciam brincar de pega pega no céu azul. Meu irmão e seus amigos, nossos primos estavam sempre com uma lata na mão enrolando a linha que caía, desenhando formas pelo chão cinza.



Naquela época não se falava nos perigos reais do cerol, apenas "tome cuidado para não se cortar", e logo ali, nesta mesma rua, as linhas eram colocadas lado a lado, dando volta nas amendoeiras e postes de luz. Como ritual, a  mão cheia de cola e vidro trituradinho distribuía a goma cortante pela linha , e depois esperava secar. As vezes passava mais de uma vez, pra "cortar geral"!!!

Muitas vezes, enquanto olhava as nuvens (bom lembrar que a vida já me deu tempo para saborear o céu), ficava tentando acertar qual eram as pipas dos meus amigos, e irmão. Me confundia com as cores, as rabiolas, tinham umas fantásticas, e afinal só sabia o que de fato acontecia, com as brincadeiras e os gritos que os meninos davam, ou com a correria pra pegar a "avoada" , acho que era assim que falavam.

Nunca entendi o motivo de correrem e brigarem por um brinquedo tão baratinho. Quando faziam a pipa, até entendia . Vi várias vezes a construção da pipa, mas  o que adorava mesmo, e as vezes até me deixavam ajudar, era em fazer a rabiola. Pegávamos saco de merca\do e cortávamos em tirinhas, depois com um jeito próprio, amarrávamos na linha, até fazer um grande rabão!



Um jeito gostoso de pensar infância... Hoje ao passar pela praça aqui perto, meninos repetiam o ritual, cheguei a conversar com um deles, o sorriso largo era a prova de que tudo estava exatamente no lugar que tinha que estar.

No entanto, o que me leva a fazer esta  volta bonita ao passado gentil da época das brincadeiras, é ver aqui no meu bairro, a quantidade de homens  soltando pipas. Não, não estão ensinando seus filhos, estão gritando, olhando pro céu, esticando os braços, "dando linha"... Posso gerar até polêmica com minhas palavras, mas acho tão estranho, vê-los correndo atrás das pipas, disputando com as crianças, "cortando" os pequenos com cerol experimentado, de quem entende do assunto.

Talvez, quem sabe, haja além da falta de entendimento, uma curiosidade estranha sobre este poder masculino de continuar sempre brincando... Parece um papo feminista? Não sei. É que deixei de brincar de boneca há tanto tempo, que já nem me recordo quando. Fica difícil  imaginar a situação de ligar pra minha amiga, que anda tão ocupada com seus mil afazeres de sobrevivência e dizer: "Oi, Beth! Que tal vir aqui hoje, brincar um pouquinho de bonecas?" 

Nada contra pipas, sua beleza, sua arte e diversão. Absolutamente. Mas o fato é que a vida da mulher de hoje é tão repleta, que mal dá tempo de ir ao ginecologista, ao dentista, ao clínico geral!  Tem o trabalho, os afazeres domésticos (cozinhar, lavar, passar), os filhos, o dever de casa das crianças, a escola que chama pra conversar, os médicos dos filhos, a conta pra ser paga no banco, que as vezes até olhar no espelho precisa entrar na lista do cotidiano. O dia já começa agitado... Então, sei lá, voltar do trabalho, correndo pra encontrar meu filho, descer do ônibus lotado e dar de cara com homens, sem filhos, curtindo o entardecer, cortando a pipa de crianças que se divertem, sim, isso me incomoda.



Pode ser que alguém comente: E o que há de mau nisso? 
Eu respondo: Amo o colorido das pipas, e as crianças se divertindo, passeando com sua imaginação pelo céu. Mas, homem, passando cerol, cortando criança, colocando vidas em risco, desculpe, mas sim, me incomoda.

Lembrando: O cerol é uma arma. Cerol em linha de pipa mata! Brinque, não mate!
Vídeo do youtube sobre cerol: