quinta-feira, 14 de julho de 2016

Somos todas Divas - Diva- Di...


As poucas que conhecem Diva, poderão compreender o trocadilho de palavras, que caem como uma luva para essa mulher de quem falarei. E mesmo sem conhecê-la, possivelmente você ao final do texto, também se reconhecerá como sendo , ou tendo sido Diva.

Diva não é seu nome, mas algumas pessoas a chamam assim. Por seu nome parecer, por ela ser.
São quase uma da madrugada, mas não poderia dormir sem desabafar , sem expressar.

Bom, você já sabe,Diva é uma pessoa, uma mulher, e vou descreve-la aqui pra que você a veja através dos meus olhos. Diva tem mais  de cinquenta anos, baiana, rosto largo, olhos puxados e bochechuda. Ela não é magra, nem gorda, ela tem aquele corpo forte. Ela tem o corpo que as crianças gostam de se aninhar, ela tem os braços que a gente quer abraçar. Diva sorri. Sempre. Ela gargalha e alegra quem está perto dela. Aquela tia que não é irmã do seu pai, nem da sua mãe. Sabe a tia que todo sobrinho quer ficar? Que se você estiver triste, vai tentar acalmar, vai querer orar por você. Sim, Diva é da igreja, e a palavra dela tem sempre uma pitada de açúcar.

Diva veio da Bahia. Há mais de trintas anos ela se casou  e mora há anos na cidade maravilhosa. Ela tem marido, filhos, netos e noras. Ela tem problemas, e como! Mas pensa que chega reclamando? Pensa que se escora pelos cantos a lamentar, e a amaldiçoar o mundo pelas adversidades constantes? Não, absolutamente. Ela trabalha, conversa, toma chá para emagrecer e há mais de um ano ou quase isso faz ginástica três vezes por semana. Arrebenta no agachamento! Pena que se recusa a dançar comigo, quando a pego desprevenida.

Diva tem problemas sérios, que se eu estivesse no lugar dela, teria surtado, e não sorriria tanto! Diva tem o dom de amar, e claro jurou amor a seu homem, àquele que é pai de seus filhos, àquele que ela liga durante o dia, e ainda treme quando ele liga. Diva que comprou lingerie nova para esperar seu amor quando retornou de uma viagem longa. Ela que passava o dia vigiando o celular, e superando suas dificuldades com a tecnologia, naquele celular antigo, esperando a hora da ligação de seu marido.

Quantas vezes, todas as vezes que em conversas e brincadeiras sobre infidelidade conjugal ela disse colocar a mão no fogo, e ter confiança plena em seu casamento, àquele abençoado por Deus, imaculado, encapsulado, intocado. Sua força, certeza, base. Não importavam os problemas, ela não estava sozinha, ela tinha seu amor. E assim o trabalho pesado fica leve, os dissabores relevados, as dores amenizadas. Seu orgulho. Ele, seu orgulho. Mais de trinta anos de cumplicidade.

Semana passada Diva sentiu dores, e precisou se afastar por dois dias. Marido desempregado, e um companheiro em casa. No dia em que retornou, algo diferente no olhar. Não deixou de sorrir, mas não conseguiu esconder o que gostaria de enterrar. Ela contou. Olhando o novo i-phone do esposo, curiosa pelo celular bonito que ele havia comprado com o dinheiro do trabalho da última viagem, sem entender as teclas, procurando alguma música, lá estava o áudio de juras de saudades e amor sussurradas,,, não era pra ela. Tomou-se de fúria, e de profunda tristeza.

Nada novo pra tantas de nós. Qual a novidade da traição, mais atual que nunca e tão velha quanto o inicio da humanidade? Mexeu comigo, e com todas que a conhecem, pois é complexo quando você permanece acreditando anos e anos. Quando uma casa construída por tantos anos, com aquilo que você acreditava ser de concreto, vigas de ferro, e bom alicerce, se desfaz como um bolo de areia seca entre os dedos. Perdi a inocência há tantos anos atrás, que me esqueci como era encarar a traição quando de fato se crê. E doeu de novo. E me vi menina novamente, e relembrei minha própria dor. O desatino, a falta de orientação.

Nesses poucos dias eternos, Diva fez conexões, viu a foto dela, ouviu sua voz, ligou pra ela. Ela, a outra (e talvez também vítima) mais nova, olhar altivo, peitos firmes, sensual. Hoje Diva chorou. Não queria que ela conhecesse a dor tão tarde. Não queria que nossa Diva sofresse por isso, ela já sofre outras dores. Não queria que ela chorasse.

Diva, fui você em sua inocência, fui você em seu sofrimento, em sua falta de orientação e dor. Porque lá atrás, já doeu muito, e quem conhece a dor, sabe como é. Disse a ela que vai passar, e vai. Mas marca, e até que passe, arde, machuca, corrói.

 Diva, seja lá a decisão que tomar, estaremos aqui, esperando seu sempre sorriso. Essa é a nossa vez de abraçar. Porque palavras são tão vazias para preencher alguns vazios, mas estamos aqui. Nesse momento Di, somos todas você. Somos todas Diva.

Te amamos.