segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rio de Janeiro ... Por uma professora carioca

Não dá pra fingir que não aconteceu tamanha violência no último dia 17 de outubro.
Eu estava em Saquarema, e logo de manhã ao ligar a TV do hotel, vi o helicoptero abatido, depois onibus queimados.

Moro bem perto de tudo que aconteceu, pensei imediatamente na minha mãe e na diretora adjunta da creche que trabalho, pois ela mora mais perto ainda. Liguei pra minha mãe, ela não sabia, estava no hospital com o esposo. "Mãe, fica aí, que é melhor!", e quando liguei para Ana, adjunta, ela estava horrorizada e pelo telefone pude ouvi as ensurdecedoras sirenes dos carros da polícia. "sai daí com teus filhos, não fica aí."

Não acostumo.

Meu filho tem 11 anos, fico receosa, pra ser sincera, as vezes me apavoro ao imaginar que daqui a pouco ele pedirá para passear com seus colegas.
Dá pra ter paz tendo seu filho nas ruas de uma cidade que num só dia, queima-se 10 onibus, abate-se um helicoptero e balas se perdem e se acham em todo lugar?

Amo meu Rio sim, suas praias, paisagens e o melhor, sua gente.
carioca é pessoa da melhor qualidade, é risonho, bem humorado, trabalhador SIM, e que merece mais segurança.

Então , ontem, no meu retorno a minha bela cidade, na rodoviária vi  nas pessoas semblantes assustados e do outro lado menores preparando suas camas no chão. E enquanto relutava com o taxista que não havia problema ele me levar para meu bairro, e enquanto ele mostrava o jornal O Globlo e alterado dizia" Olha aqui, olha aqui!" eu pensava no problema causador disto tudo: Educação.

Será que só alguns poucos conseguem perceber isso?
Crianças nas ruas, muitas, muitas.
Crianças e adolescentes fora da escola.
Se Educação não é prioridade o que é então?

Será que nossos representantes não percebem que hora dessas, eles mesmos podem ser as vítimas desta falta de Educação?
Quando um helicoptero da PM, blindado e com profissionais especializados, é abatido por bandidos, podemos medir que tipo de segurança temos, e então um carro blindado e segurança armado podem não ser barreiras para a violência.

Caros representantes, cuidem de nossos pequenos, pois logo não serão crianças, e colheremos todos essa péssima semeadura.
Não há outra saída, senão Educação, investimento sério e responsável, planejamento inteligente, trabalho árduo.
Educação imediata, bons salários aos professores, qualidade de ensino.

Não me digam que há investimento sério, quando eu ao trabalhar vejo todo santo dia, dezenas de crianças de rua num percurso de Cachambi ao Caju. Se isso é  considerado investimento...

Não seria melhor  e mais inteligente investir em Educação que construir prisões de máxima segurança?
Não é melhor investir em Educação que ir ao cemitério enterrar um filho vítima da violência urbana.
Todos estamos vulneráveis.
Todos.

Ainda tem jeito.

Sou professora, sou mãe, moro na Zona Norte do Rio, moro no Cachambi, trabalho no Caju.
E eu, como todos os cariocas estou com medo.
Estou fazendo minha parte, quando eu e minha equipe fazemos um trabalho qualificado, garatindo aos nossos pequeninos o direito que possuem com o melhor que uma instituição  pública pode dar. Ainda assim, sabemos que precisamos melhorar.


Precisamos de um Rio, não apenas famoso por sua exuberante beleza. Precisamos de um Rio de Paz.

Um comentário:

Ariano, é FOGO disse...

Sábias palavras, porem como o conto do "Beija-flor e a floresta em chamas", você fez sua parte, postando aqui sua indignação, porém devemos fazer com que suas palavras naveguem por esse mundo digital a velocidade da luz para alcaçar a todos aqueles responsáveis diretos ou indiretos por essa sitação, eu sou indiretamente responsável pela situação, eis que estou fazendo a minha parte postando minha opinião e divulgando para aqueles com quem tenho contato direto. De boca em boca até as autoridades ficarem cientes e algo seja feito!!!