quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CAFÉ DA MANHÃ

Antes de ir ao trabalho, parei numa padaria no Méier, para tomar meu café.
Pedi chocolate quente, e um misto de francês com queijo minas.
Gosto de ver o jornal da manhã, sempre que posso, e a TV da padaria estava ligada no RJTV.
Assim que comecei a comer, surgiu um rapaz morador de rua, muito sujo, cabelos grandes, pele com sujeira de meses, roupa esgaçada e mal cheirosa.
- Me paga um café com pão aí, tia.
Respirei, tentei  pensar rápido, e não quis abrir a bolsa na frente dele.
_ Moça, serve a ele que vou pagar.
Ele se sentou ao meu lado. Segundos depois o dono da padaria apareceu e perguntou "o que tava pegando"
_ A tia vai pagar meu café.
_ Não precisa-disse o dono- eu te dou seu pão com café, só não quero que você aborde meus clientes.
_ Então eu quero "dois pão" que a tia vai me dar  um e você outro.

Confesso que naquela hora quase ri, achei engraçado, mas estava nervosa de como a história acabaria.

- Ah- reclamou o garoto,- todo dia eu peço pra ele, ele não dá pra eu, me manda embora, ué.

A moça trouxe o pão em embalagem pra viagem, e o café no copo descartável. Ele pegou um canudinho assoprou e jogou no chão. Depois pegou outro colocou no copo e chupou o café e seu rosto expressou imenso prazer. Em seguida, com as mãos sujas pegou no porta guardanapo, um, dois, uns dez guardanapos, segurou o  pão com o papel que pegou e saiu.

O fato dele pegar o papel pra segurar o pão, e não sujar o pão significou alguma coisa, ele queria ser diferente... Eu acho...

Depois ele foi para tras de mim. Eu o estava vendo pelo espelho, mas os demais não sabiam que eu acompanhava o garoto e ficaram fazendo mímicas que ele estava atras de mim, pra eu sair. Eu não saí, tive a impressão que ele estava se protegendo.
É claro que tive medo, o medo parece até uma sombra, tá sempre seguindo... Mas o fato é que pensei em todas as injustiças que ele já devia ter vivido.

Conheço a teoria sobre não dar dinheiro, e etc, mas ele me pediu pão e café. Não seria ele meu próximo, a quem, segundo os ensinamentos cristãos, devemos ajudar? Quem pode julgar o certo e o errado nesta questão? É polêmico...


Fico pensando ...Onde estará esse garoto, agora? Dormindo, drogado, com fome, matando?
Eu não vou matar a fome do mundo? Sei disso.
Mas de repente me vem àquela história que fala que se cada um fizer sua parte...

Não sou dona da verdade.
Quero um país mais justo, e digno.
Não quero me alienar, e fingir que não estou vendo.

Escrever aqui é mais um desabafo.

3 comentários:

Amanda disse...

Que isso hem Ruth! Fiquei tocada com o texto! Muitas vezes passamos por muitas pessoas assim e não vemos! é muito bom parar para refletir... podemos sim fazer a nossa parte! Parabéns pelo seu blog! Bjinhux... saudade!

Ariano, é FOGO disse...

Essa é você!!! Sem sombra de dúvidas, você fez questão de tirar o manto da invisibilidade que essas pessoas carregam, carregam pois somos "nos" que o colocamos neles, não é uma cena difícil de se ver uma pessoa passar e ignorar totalmente a outra solicitando ajuda...Seu coração é uma glória!!
Continue assim!!! Te amo!

Silvana Nunes .'. disse...

Maravilha o seu cantinho.
Na intenção de divulgar o meu trabalho, cheguei até você.
Gostei muito do seu espaço. Eu não estou podendo ler tudo de uma vez porque a tela do computador atrapalha um pouco a minha visão, mas certamente voltarei mais vezes. O meu oftamologista pediu que desse um tempo da telinha... e eu sou fraca ?
O meu território já está demarcado.
Convido a dar uma espiada em "FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER.." ( o seu cantinho de leitura), em:
http://www.silnunesprof.blogspot.com
Terei sempre uma história para contar.
Saudações Florestais !