quinta-feira, 21 de abril de 2011

SAUDADE- Alguma definição

Hoje o coração amanheceu explodindo, como se fosse grande demais para caber dentro do meu corpo. A Alma suplicou por algo que eu não poderia conceder. É como se o mundo todo fosse pequeno para a saudade que acordei sentindo.

Acordar sem correr para o trabalho, com todo um feriado pela frente faz a gente pensar, e hoje aconteceu da falta abrir um vazio em minha vida.

Minha saudade: Meus amigos, meu irmão, meu sobrinho que não conheço.

Queria mãos gigantes e colher pelos cantos do mundo, amigos que se espalharam e tê-los por um espaço de tempo, nas palmas das mãos e trazê-los para bem pertinho do meu coração.

A vida, sempre gentil comigo, me proporcionou amizades de raíz, pessoas de natureza simples, sorriso aberto, de mãos estendidas.  Meninas e meninos que fazem parte do que sou, e se misturam ao sangue que corre em mim, pois não seria quem sou, sem o amor, sorrisos e lágrimas que me proporcionaram.

Talvez a distância física seja por alguns deles interpretadas por descaso, esquecimento, desamor. Digo que tudo em mim implora pela presença daqueles que posso chamar de amigos.

Enquanto escrevo, e choro, me vem lembranças salpicadas, flashes: música e violão, voz e canto, guitarra e bateria, Diamantina, Três Marias, Belo Horizonte, Três Rios, Sítio de Itaipuaçu e nossos congressos, ruas fechadas em final de semana de Convenção, Parada na estrada em Santos Dummont, leite tirado da vaca na hora... Voz grave dos nossos pais, poesias lidas,São Paulo, coxinhas no meio da noite, piadas que só um amigo que se foi sabia contar daquele jeito, fazer xixi nas calças de não aguentar de tanto rir, Mangueira, jantares, ficar depois dos cultos cantando e dançando mesmo depois de quase todo mundo ir embora, Bangu city...  meu teclado, descidas em papelão nas gramas da quinta da Boa Vista. Sinto falta do barulho do dominó quase quebrando a mesa de nossa casa, enquanto nós corríamos, ríamos, e guardávamos nossos segredos de gente feliz.

Para cada palavra, uma imagem. Para cada imagem, lágrimas.
Amizade de raiz.
Nomes? Eu poderia escrever um livro sobre o grande amor que tenho por cada uma das pessoas listadas.
Nomes? Por quem começo?
Joel.
Joquebede, Késia, Kelly, Quésia, Neilda, Jônatas, Neilson, Verônica, Rosilene, Reinaldo, Mônica, Roneida, Claudia, Fábio e Artur.

E com eles, nossos pais, Fábio e Leni, Argeu e Nilza, Paulo e Maria, Geraldo e Lúcia, Jair e Carmem- motivo da essência e pedra fundamental de nossa alegria e amizade.

Uma vida cheia de música e promessas.
Uma infância de certezas.
Qual de nós poderia prever?
Não havia uma vírgula de dúvida de que algo poderia sair errado, havia?

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo." - Fernando Pessoa

E tivemos lindos aniversários de quinze anos, e tivemos lindos casamentos, festas e viagens.

A distância, bem como os problemas, veio gradativa.

Um pouco de silêncio.

Em alguns momentos de nossa vida, o silêncio tem virado os anos. Anos sem contato, sem abraço, sem cartas, sem voz.

Novas pessoas, como devia mesmo ser, começaram a fazer parte de nossa vida, algumas até hoje não entendem o valor, essência e "infinitude" de nosso amor. E pelas mais diversas razões, nenhuma delas justificável, ainda mais silêncio. 
E a música nunca mais foi a mesma.

A lembrança das vozes de vocês é nítida como se os anos não tivessem passado.


Escrevo de frente para varanda, que continua aqui na Jansen Muller, intacta e forte, também palco de nossa infância e relembro as centenas de vezes que brincamos, conversamos e dividimos nossos segredos adolescentes. Chamo de mágica realidade. Tempo bom, não?

Sei que minhas palavras despertam em vocês lembranças doces, de vidas  reservadas para somente alegrias, e certamente não contávamos com tantas adversidades, pois acreditávamos mesmo que éramos de alguma forma encapsulados, e que nada nos atingiria. Guardávamos os sonhos com absoluta calma e certeza de que as coisas aconteceriam  como a gente imaginava.

Pensávamos que nossos filhos cresceriam juntos, como nós crescemos. E que eles brincariam nos quintais de nossas casas, e que viajaríamos juntos em caravanas de carros, com música, violão, abraços e muita conversa varando a noite...

Dentre o silêncio que  aos poucos cultiva a saudade, tivemos a certeza de nossa fragilidade e mortalidade, quando da noite para o dia, nosso baterista, o mais galanteador de todos os amigos, nos deixou. Sem aviso prévio.

Isso nos fez perceber que o tempo não perdoa, não pára, não espera.

Aprendemos a viver nossas vidas, a correr pelo dinheiro que nos garanta o pão de cada dia, a usar o orkut, facebook, twitter. Alguns de nós com filhos. Poucos filhos. Nenhum filho.

Correndo de lá pra cá, as vezes como hamsters naquele círculo...

Confesso que enquanto escrevo,  a saudade aumenta. 

Conversando comigo mesma, nas perguntas e respostas de meus pensamentos, concluí que nestes 34 anos de vida, tendo passado por tantas experiências, a simplicidade de nossa amizade, é até hoje o que mais valeu. Era puro, sem máscaras, pra falar o que tinha que ser dito, porque por mais duro que fosse ouvir, só fazia bem...

Este texto, exposto em um blog público é uma declaração de amor, oficial, verdadeira, sincera.

Quem sabe em algum momento, a gente consiga fazer uma viagem juntos, levar o violão, e voltar a rir dos velhos e bons momentos?

Desculpa a nostalgia de outono, a poesia fora de hora, a falta de jeito para expressar...

beijo no coração

3 comentários:

Kesia disse...

Só você que viveu tão intensamente como cada um de nós pode descrever este sentimento com tanta propriedade. A saudade é um sentimento. Mata-la é uma ação que depende da escolha de cada um de nós. Vamos nos reunir novamente. As mesmas pessoas, as mesmas emoções, os mesmos sonhos no mesmo lugar. Topa? Bjs

oracao disse...

NOSSA RUTE ,VC ESCREVEU DE UMA FORMA TAONINTENSA QUE FICOU PRA MIM MAIS FORTE DO QUE SEMPRE FOI,LINDO O SEU TEXTO AMO VC .JOQUEBEDE.

Neilda, Preta Linda! disse...

Como não se emocionar ao ler este texto? Ví diante de mim um coração aberto, rasgado... Ah, a saudade! Já ouví dizer que "não temos saudade do que se passou, mas sim do que éramos então". Pois que assim seja! Eu tenho saudade da inocência, do riso franco, da certeza da felicidade plena em coisas tão simples, saudade de pensar que para nós o tempo não passaria e que éramos invisíveis à dor... meu irmão se foi, eu sei o que é a dor! Acredito que vamos ter em breve a oportunidade de nos reencontrar, nos abraçar e ter a certeza que fomos abençoados com uma infância feliz e que a amizade é sim a melhor coisa desta vida! Amo todos vocês e Rute, de forma ainda mais especial! Em novembro...