sábado, 20 de julho de 2013

Cada Grito, é meu Também!



Somos feitos de fases, como dizia minha amada Cecília Meireles. "Tenho fases como a lua..." Ainda bem. E a minha agora, é de não me importar com o que as pessoas pensam do que falo. Cheguei finalmente no momento em que consigo expor o que penso. Tenho nojo de ouvir certas pessoas, e tenho que me contorcer em  ter a boa educação de respeitá-las. 


Sou mais uma brasileira, mais uma mulher, mais uma mãe, mais uma filha, mais uma professora, mais um número nesse país. Eu sinceramente me sinto representada em cada uma das causas gritadas nas ruas nos quatro cantos desse país, ainda que a causa não seja a minha própria. Eu me vejo espelhada nos olhos dos caminhoneiros, nos braços erguidos dos médicos. Minha voz ecoa no grito dos metalúrgicos, nos passos dos estudantes, no desespero dos enfermeiros... 




Tenho minhas histórias pessoais, àquelas que sofri, na pele e na alma, às que vi e compartilhei e sofri, comovi. Já estive em hospital  particular e público com meu filho quando era pequeno, e nos dois  fomos tratados pior que cachorros fedidos. No particular, quando o dinheiro acaba. No público, você não existe, não é ninguém, não é nada. O sentimento é que você realmente não vale nem um centavo. 


Vemos por aí crianças na rua, e o acaso com velhos... 
E pelo amor de Deus, não está adiantando para os governantes as pessoas irem para as ruas, os hospitais continuam negligenciados, as mulheres continuam parindo nas portas dos hospitais. Isso parece história de terror, mas é real, e ainda passa na televisão. E não adianta passar na televisão, continua sem acontecer nada! A situação está tão absurda, tão crítica que mesmo a mídia mostrando, nada se move!


Eu trabalho em frente à uma comunidade de pessoas invisíveis!!! 
A indignidade é tanta lá, que sinto dificuldade em colocar isso em palavras. Sei que existe isso no mundo, eu sei,,, mas ali elas estão ao meu lado. Eu as vejo, elas tem nome, eu escuto o choro daqueles bebês... Eles merecem menos que meus irmãos pequenos? São menos especiais que meus sobrinhos? Elas realmente podem viver daquele jeito? E a constituição com seus direitos sobre moradia, cidadania, e todas aquelas palavras lindas?

Aquelas famílias não tem saneamento básico,  elas dividem o mesmo tanque improvisado. Neste tanque elas tomam banho, lavam a louça, lavam a roupa, lavam os cabelos, lavam as fraldas das crianças, suas calcinhas de menstruação, preparam suas comidas, escovam os dentes... várias pessoas, homens, mulheres, crianças e seus muitos bebês.

O pobre não tem importância. Só na hora de votar. Aí ele é número, e a esperança de um teto, ou até da comida do dia seguinte o compra. 


Então vemos nossos "representantes" falando do alto de seus lugares seguros. Encontram-se em estados inabaláveis. Esquecem-se que tudo nesse mundo tem começo, meio e fim. As vezes, com grande velocidade. Para sempre, somente as memórias.  E quais são as  memórias que estão nos deixando? 


Aqueles a quem nós demos o poder de governar  sobre nosso dinheiro,  governar nossa saúde, nossa educação e   o futuro de nossos filhos viram as costas para nós e se refugiam em seus carros blindados e suas casas fortes.


Quanto a nós, continuamos reféns, em nossas casas desprotegidas, sem acesso à uma saúde decente, sendo obrigados a ver pais e filhos sofrerem no momento de sua maior fragilidade... alguns vendo os seus mais amados morrerem na porta dos hospitais, tendo a porta fechada em suas caras. Um Brasil negado, covarde, que exclui seus filhos, os que nasceram em seus verdes pastos...


E que não nos deixe a fé, pois precisamos dela desesperadamente.


O povo que sai às ruas me representa, cada grito, também é o meu.






3 comentários:

Luciano de Oliveira Leal disse...

Exatamente o retrato que estamos vivendo....Parabéns.

Luciano de Oliveira Leal disse...

Exatamente o retrato que estamos vivendo... Parabéns.

Luciano de Oliveira Leal disse...

Exatamente o retrato do que estamos vivendo. Parabéns